A criação do blog aconteceu em decorrência do despertar de uma vontade enorme de me expressar e de compartilhar minhas vivências, aprendizados e experiências. Cada pessoa tem sua história, sua personalidade, sua individualidade, sua alma, portanto, num certo grau, somos todos diferentes um dos outros. Mas temos uma parcela enorme de semelhança, de congruência, de união, pois afinal somos todos seres humanos. E é exatamente neste ponto que acredito e desejo que meus textos aqui expostos tragam frutos, tanto para mim quanto para quem os lê.
Como professora e estudiosa do Yoga, pude aprender muito a respeito dessa filosofia (claro, ainda tenho muito a aprender). O Yoga foi a principal porta que se abriu em minha vida e que me colocou no caminho em direção ao auto-conhecimento, ou seja, em direção à minha verdadeira essência. Um caminho que estou a percorrer e cujo percurso me acompanhará por toda a vida.
Este caminho é longo, diário e exige dedicação, esforço, abnegação, sacrifício, disciplina... e leva à perfeição. Por aí, já se tem uma idéia de quão longo e trabalhoso é este caminho... mas percorrê-lo é também prazeroso e gratificante. E o resultado: a verdadeira liberdade, que se pode alcançar nesta vida... ou não. Mas o que realmente importa é a peregrinação, é percorrer o caminho consciente de cada passo dado, atento à paisagem ao redor, aos detalhes, aos sinais. É estar presente no tempo presente.
Através do Yoga, e de tudo o que a opção por me tornar professora dessa filosofia milenar me traz, é que aqui estou. Meu objetivo é abranger assuntos relacionados ao Yoga - desde a vivência da prática, técnicas, passando pela filosofia, reflexões, ensinamentos, literatura, links, dia-a-dia...
Como seres humanos todos temos as nossas imperfeições, pois por milênios esquecemos de que somos parte da Natureza – digo Natureza com N maiúsculo, pois aqui me refiro ao Universo, ao Todo, a Deus, ao Cosmos, a tudo o que nos cerca. Somos unidos, integrados a Ela. Somos Um. Não dizemos que a Natureza é perfeita? Nós também somos, só que nos esquecemos disso; nos afastamos da Natureza, e assim da nossa verdadeira essência. Ignoramos a Unidade para vivermos na Dualidade.
Estes pensamentos fundamentam o que digo abaixo.
Conhecendo a Índia ou conhecendo a si próprio?
Em dezembro de 2007 / janeiro de 2008 fiz uma viagem de 20 dias para a Índia. Há tempos queria fazer essa viagem, mas ela aconteceu no momento exato. A Índia é um país fascinante, multifacetado, cheio de contrastes, de cores, sabores, aromas, sensações... Um país de uma cultura rica e milenar, com um povo trabalhador, forte e dono de uma sabedoria que ultrapassa milênios, pois é uma sabedoria sobre a própria humanidade.
A Índia invade você através dos cinco sentidos: visão, audição, olfato, paladar e tato de um modo singular e impetuoso. Desperta sensações, sentimentos, pensamentos, percepções e intuições referentes a si próprio e ao mundo ao seu redor. Uma viagem para a Índia faz com que você entre em contato com muitos dos seus fantasmas, medos, projeções... desperta a sua consciência para o fato de que, mesmo você se achando livre de preconceitos, julgamentos, comparações, você percebe que os têm e que faz uso deles... diariamente! Mas isso é o que é mais interessante, pois não é justamente a consciência da existência de algo que faz com que seja possível transformar esse algo? Talvez seja esta a razão pela qual muitas pessoas não conseguem gostar da Índia, e muitas vezes não se sentem à vontade nem para permanecer os dias planejados da viagem - o temor do encontro consigo mesmo?

Trânsito em Nova Delhi

Taj Mahal, em Agra
No caso da Índia a expressão “ou você ama ou você odeia” é perfeita. Para se conhecer a Índia, você tem de estar aberto a tudo, sem julgar, sem comparar, mas sim observar a Índia, absorver a Índia e aprender com ela. Perceber que a Índia é apenas diferente, nem melhor, nem pior. Cessam-se os julgamentos, as comparações, pois somos todos partes de algo maior, originados de uma fonte única - somos Unidade, Natureza. Somente dessa forma, é que você percebe que a Índia também desperta o que há de melhor em você e faz com você se aproxime ainda mais da sua verdadeira essência. É tudo uma questão de se estar aberto a isso.
Por essa razão, essa viagem foi uma experiência marcante, única e que mudou a minha vida. Quando falo ‘mudar a vida’ não me refiro a mudar de roupas, ou de amizades... falo da mudança que acontece em função dessa proximidade maior com o verdadeiro Eu.
A viagem para a Índia fez com que eu avançasse muitos passos no caminho do auto-conhecimento. Sei que ainda tenho muito a trilhar... e o compartilhar as minhas descobertas, vivências e reflexões faz parte desse meu caminho.

Pôr do sol no rio Ganges - Rishikesh
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“Numa peregrinação, a cada passo você está se aproximando de Deus e a cada passo que dê em direção a ele, são dados dez passos dele em direção a você. Quando a estrada termina e o objetivo é cumprido, o peregrino sente que viajou apenas de si para si mesmo e o Deus que encontramos estava o tempo todo dentro de nós, ao redor de nós, conosco e ao nosso lado."
Sri Sathya Sai Baba
“O Universo inteiro é uma família.”
Rig Veda
“Somente o Conhecimento é eterno. Ele não tem início nem fim. Não existe nada fora ele. A aparente diversidade do mundo é resultante da limitação dos sentidos. Quando esta limitação desaparece, apenas o Conhecimento, somente ele, resplandece.”
Shiva Samhita, Cap. I, 1.