Nav significa 'nove' e ratri 'noite'. Assim, Navaratri significa nove noites. É mais um dos festivais hindus que simbolizam o triunfo do bem sobre o mal. O Navaratri acontece no começo de outubro e, como o próprio nome diz, tem a duração de nove dias. Navaratri é também conhecido como Durga Pujá.
No Navaratri Deus é adorado como a “Mãe”. O hinduismo é a única religião do mundo que enfatiza tanto o aspecto materno de Deus.
Há muitas lendas associadas ao conceito do Navaratri, assim como todos os festivais hindus. Todas elas são relacionados à Deusa Shakti (a Deusa Mãe hindu) e suas variadas formas – Durga, Lakshmi e Saraswati - e é um dos festivais mais celebrados do calendário hindu.
Os três primeiros dias são dedicados à deusa Durga – a deusa guerreira – vestida de vermelho e montada em um tigre. Suas várias encarnações – Kumari, Parvati e Kali – são adoradas durante esses dias. Elas representam os três estágios da mulher: a criança, a jovem e a mulher madura.
Durga
Os três dias seguintes são dedicados à deusa Lakshmi – a deusa da riqueza e prosperidade. Lakshmi se veste de dourado, tendo como veículo uma coruja.
Lakshmi
Os últimos três dias são dedicados à deusa Saraswati – a deusa do conhecimento – vestida de puro branco e tendo como veículo um cisne branco.
Saraswati
O décimo dia do festival é chamado Dussehra (ou Dasara), e simboliza o triunfo do bem sobre o mal (simbolizado pela vitória de Rama sobre Ravana, do épico Ramayana).
Para a celebração são preparados vários doces, e crianças e adultos se vestem de roupas novas e de cores claras.
O sentido espiritual do Navaratri: - nos três primeiros dias, Durga, a guerreira, que simboliza força e poder supremos, destrói as nossas impurezas e vícios; - nos três dias seguintes, após a purificação realizada pela deusa Durga, Lakshmi, a deusa da riqueza e prosperidade, nos traz as qualidades necessárias para recebermos conhecimento e adquirirmos sabedoria; - nos últimos três dias, a Deusa Saraswati nos proporciona o conhecimento e a sabedoria necessários para a nossa evolução espiritual
Após vários meses resolvi escrever novamente no meu blog. Durante esse período, minha mente esteve focada em outras situações e eventos, e acabei perdendo a inspiração e o tempo para escrever. Não que isso tenha sido ruim, apenas o foco foi desviado e a distribuição da energia nas minhas atividades do dia-a-dia foi um pouco alterada. Mas o importante é que estava atenta a este momento e que, como tudo na vida, consciente de que ele também iria passar. A vida é assim mesmo, feita de ciclos, por isso cá estou eu de volta. Agradeço aqueles que questionaram a minha ausência no meu blog e que estavam sempre aguardando por novos textos.
E é exatamente sobre os ciclos da vida que eu escrevo hoje. Pensando em quantos milhões de ciclos, diria até "zilhões" pelos quais passa a nova vida. Afinal estamos o tempo todo em eterna e contínua transformação, desde o momento em que nascemos; mesmo que algumas dessas transformações sejam inconscientes num primeiro momento ou até mesmo por toda vida.
Cada ciclo deve ser vivido de forma consciente. Um mesmo ciclo também é composto de distintas fases, e cada uma dessas fases também deve ser vivida conscientemente. Deve-se praticar a auto-observação constante, assim como observar o que acontece ao redor. Assim, adquire-se a capacidade de ser testemunha de si próprio, consciente de que o ciclo é transformador, e que ele regenera o corpo, a mente e a alma. De que ao término de cada ciclo uma nova pessoa é revelada, com mais conhecimento sobre si próprio, a vida, os outros e o mundo ao redor. Esse conhecimento, que é obtido através da observação, ponderação e análise de si mesmo e de tudo o que acontece, acaba contribuindo para a verdadeira sabedoria - que é obtida não apenas pelas experiências que se vive externamente, no relacionamento com as pessoas, objetos, eventos, situações, o mundo ao redor - mas principalmente pelas experiências vividas interiormente, no contato mais íntimo, profundo e verdadeiro com a própria essência. E ao fim de cada ciclo, renovado e dotado de mais conhecimento e sabedoria, deve-se tambér ser sábio o suficiente para aceitar o fato de que o conhecimento e/ou sabedorias adquiridos são apenas uma parcela mínima do que ainda se tem para aprender; aceitar o quanto ainda não se sabe e estar pronto para mais um novo ciclo, consciente e atento à cada transformação.
Traçando um paralelo com a prática de yoga, utilizo como exemplo uma das técnicas da prática do Hatha-Yoga: o ásana. O modo como se vivencia cada postura: a consciência da postura em si, do que ela traz ao corpo, à respiração, à mente, à percepção do nível do autoconhecimento, entre outros aspectos. Cedo ou tarde a execução daquele específico ásana chega ao fim, mas tudo o que se vivenciou nele está impregnado no corpo, na mente e na alma. Assim, preparado para executar o próximo ásana, deve-se estar aberto à novas experiências e aprendizados, consciente de que uma transformação já aconteceu em função do ásana anterior, mas que a transformação é contínua, incessante, eterna. Assim como o aprendizado.
Kutub Minar, Nova Delhi, Índia
A vida é feita de ciclos, portanto estar consciente de cada ciclo, é estar consciente da própria vida. É ser uma eterna testemunha de si mesmo, consciente de que a própria vida é também apenas um ciclo, repleta de aprendizados e que tem um começo, um meio e que um dia chega ao fim.
Portanto, estar aberto e pronto para uma nova vida, só depende de se aceitar o quanto não se sabe. Aceitar a infinitude do Universo e dos seus mistérios.
"Você é sempre livre para mudar de idéia e escolher um futuro diferente...
ou um passado diferente."
"Entender e conhecer a si mesmo é o início da sabedoria." Krishnamurti
Eu não sou a mente, nem o intelecto, não sou o ego nem a consciência. Não sou a audição, nem o paladar, o olfato ou a visão. E nem o espaço ou a terra, não sou a luz ou o ar. Minha natureza é consciência pura. Eu Sou Shiva, eu Sou Shiva.
Não sou a energia nem os cinco sopros vitais. Nem os sete elementos, nem os cinco corpos. Não sou a fala, nem as mãos ou os pés, nem o sexo ou a excreção. Minha natureza é consciência pura. Eu Sou Shiva, eu Sou Shiva.
Não tenho apegos nem aversões. Não tenho ganância, nem confusão. Não me pertence orgulho ou inveja. Não tenho deveres, nem objetivos, Não tenho desejos, nem aspiro à libertação. Minha natureza é consciência pura. Eu Sou Shiva, eu Sou Shiva.
Nem a virtude, nem o pecado, nem a alegria ou o sofrimento. Nem o mantra, nem os lugares sagrados, nem as escrituras ou o ritual. Não sou o prazer, nem o que é prazeroso, nem aquele que desfruta do prazer. Minha natureza é consciência pura. Eu Sou Shiva, eu Sou Shiva.
Não sou a morte nem o medo, não tenho classe social ou casta. Nem pai, nem mãe, nem o nascimento me pertence. Não tenho parentes ou amigos, nem guru ou discípulos. Minha natureza é consciência pura. Eu Sou Shiva, eu Sou Shiva.
Sou imutável, sem forma, Não estou subjugado pelos sentidos e permeio tudo o que existe. Sou incomensurável. Estou além da servidão e da própria libertação. Minha natureza é consciência pura. Eu Sou Shiva, eu Sou Shiva. Shankaracharya
Shiva
"Longo é o tempo que leva a minha jornada, e o caminho é longo! Saí na carruagem do primeiro raio de luz, e continuei minha viagem pelos ermos dos mundos, deixando vestígios meus em muita estrela e muito planeta. O mais extenso percurso é o que leva para mais perto de ti, e a aprendizagem mais complicada é a que leva à extrema simplicidade de um acorde. O viajante precisa bater a todas as portas alheias para chegar à sua, e é preciso vagar por todos os mundos exteriores para afinal chegar ao santuário mais íntimo.
Meus olhos andaram por toda parte antes que eu os fechasse e dissesse: "Aqui estás!" Esta indagação e este clamor - "Onde?" - misturam-se às lágrimas de mil torrentes e afogam o mundo na onda desta certeza: - "Eu sou!" Rabindranath Tagore
"Os milagres não acontecem em contradição com a natureza, mas apenas em contradição com o que conhecemos da natureza." Santo Agostinho
"O meu olhar é nítido como um girassol. Tenho o costume de andar pelas estradas Olhando para a direita e para a esquerda, E de vez em quando olhando para trás... E o que vejo a cada momento É aquilo que nunca antes eu tinha visto, E eu sei dar por isso muito bem... Sei ter o pasmo essencial Que tem uma criança se, ao nascer, Reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada momento Para a eterna novidade do Mundo... Creio no mundo como num malmequer, Porque o vejo. Mas não penso nele Porque pensar é não compreender... O Mundo não se fez para pensarmos nele (Pensar é estar doente dos olhos) Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia; tenho sentidos... Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é, Mas porque a amo, e amo-a por isso Porque quem ama nunca sabe o que ama Nem sabe por que ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência, E a única inocência não pensar..." Alberto Caeiro
"No dia que se abriu a flor de lótus, pobre de mim! Vagava por aí o meu espírito, e eu não o soube. Estava vazia a minha cesta e a flor ficou abandonada. Apenas de vez em quando, descia sobre mim uma tristeza e eu despertava do meu sonho e sentia, no vento que vinha do sul, a sombra suave de um perfume estranho. Essa carícia indecisa fazia doer de desejo o meu coração e pareceu-me que era o hálito ardente do estio ansiando por completar-se. Eu não sabia, então, que isso estava tão perto, que isso era meu e que essa carícia perfeita florescera no fundo do meu próprio coração." Rabindranath Tagore
Rio Ganges, Laskhmanjhula e Trayambakeshwar Temple - Rishikesh, Índia
"Um ser humano é parte do todo - chamado por nós de Universo - uma parte limitada no tempo e espaço. Ele experimenta a si próprio, seus pensamentos e sentimentos como alguma coisa separada do resto... uma espécie de ilusão ótica de sua consciência. Esta ilusão é uma espécia de prisão para nós, nos restringindo a nossos desejos pessoais e afeição para umas poucas pessoas próximas a nós. Nossa tarefa deve ser nos libertar desta prisão, expandindo nosso círculo de compaixão para poder abraçar todas as criaturas vivas e a totalidade da Natureza em sua beleza." Albert Einstein