Thursday, September 10, 2009

Navaratri - o festival das nove noites

Nav significa 'nove' e ratri 'noite'. Assim, Navaratri significa nove noites. É mais um dos festivais hindus que simbolizam o triunfo do bem sobre o mal. O Navaratri acontece no começo de outubro e, como o próprio nome diz, tem a duração de nove dias. Navaratri é também conhecido como Durga Pujá.
No Navaratri Deus é adorado como a “Mãe”. O hinduismo é a única religião do mundo que enfatiza tanto o aspecto materno de Deus.

Há muitas lendas associadas ao conceito do Navaratri, assim como todos os festivais hindus. Todas elas são relacionados à Deusa Shakti (a Deusa Mãe hindu) e suas variadas formas – Durga, Lakshmi e Saraswati - e é um dos festivais mais celebrados do calendário hindu.
Os três primeiros dias são dedicados à deusa Durga – a deusa guerreira – vestida de vermelho e montada em um tigre. Suas várias encarnações – Kumari, Parvati e Kali – são adoradas durante esses dias. Elas representam os três estágios da mulher: a criança, a jovem e a mulher madura.
Durga

Os três dias seguintes são dedicados à deusa Lakshmi – a deusa da riqueza e prosperidade. Lakshmi se veste de dourado, tendo como veículo uma coruja.

Lakshmi

Os últimos três dias são dedicados à deusa Saraswati – a deusa do conhecimento – vestida de puro branco e tendo como veículo um cisne branco.


Saraswati

O décimo dia do festival é chamado Dussehra (ou Dasara), e simboliza o triunfo do bem sobre o mal (simbolizado pela vitória de Rama sobre Ravana, do épico Ramayana).

Para a celebração são preparados vários doces, e crianças e adultos se vestem de roupas novas e de cores claras.

O sentido espiritual do Navaratri:
- nos três primeiros dias, Durga, a guerreira, que simboliza força e poder supremos, destrói as nossas impurezas e vícios;
- nos três dias seguintes, após a purificação realizada pela deusa Durga, Lakshmi, a deusa da riqueza e prosperidade, nos traz as qualidades necessárias para recebermos conhecimento e adquirirmos sabedoria;
- nos últimos três dias, a Deusa Saraswati nos proporciona o conhecimento e a sabedoria necessários para a nossa evolução espiritual
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Wednesday, July 8, 2009

O ciclo da vida

Após vários meses resolvi escrever novamente no meu blog. Durante esse período, minha mente esteve focada em outras situações e eventos, e acabei perdendo a inspiração e o tempo para escrever. Não que isso tenha sido ruim, apenas o foco foi desviado e a distribuição da energia nas minhas atividades do dia-a-dia foi um pouco alterada. Mas o importante é que estava atenta a este momento e que, como tudo na vida, consciente de que ele também iria passar. A vida é assim mesmo, feita de ciclos, por isso cá estou eu de volta. Agradeço aqueles que questionaram a minha ausência no meu blog e que estavam sempre aguardando por novos textos.


E é exatamente sobre os ciclos da vida que eu escrevo hoje. Pensando em quantos milhões de ciclos, diria até "zilhões" pelos quais passa a nova vida. Afinal estamos o tempo todo em eterna e contínua transformação, desde o momento em que nascemos; mesmo que algumas dessas transformações sejam inconscientes num primeiro momento ou até mesmo por toda vida.


Cada ciclo deve ser vivido de forma consciente. Um mesmo ciclo também é composto de distintas fases, e cada uma dessas fases também deve ser vivida conscientemente. Deve-se praticar a auto-observação constante, assim como observar o que acontece ao redor. Assim, adquire-se a capacidade de ser testemunha de si próprio, consciente de que o ciclo é transformador, e que ele regenera o corpo, a mente e a alma. De que ao término de cada ciclo uma nova pessoa é revelada, com mais conhecimento sobre si próprio, a vida, os outros e o mundo ao redor. Esse conhecimento, que é obtido através da observação, ponderação e análise de si mesmo e de tudo o que acontece, acaba contribuindo para a verdadeira sabedoria - que é obtida não apenas pelas experiências que se vive externamente, no relacionamento com as pessoas, objetos, eventos, situações, o mundo ao redor - mas principalmente pelas experiências vividas interiormente, no contato mais íntimo, profundo e verdadeiro com a própria essência. E ao fim de cada ciclo, renovado e dotado de mais conhecimento e sabedoria, deve-se tambér ser sábio o suficiente para aceitar o fato de que o conhecimento e/ou sabedorias adquiridos são apenas uma parcela mínima do que ainda se tem para aprender; aceitar o quanto ainda não se sabe e estar pronto para mais um novo ciclo, consciente e atento à cada transformação.

Traçando um paralelo com a prática de yoga, utilizo como exemplo uma das técnicas da prática do Hatha-Yoga: o ásana. O modo como se vivencia cada postura: a consciência da postura em si, do que ela traz ao corpo, à respiração, à mente, à percepção do nível do autoconhecimento, entre outros aspectos. Cedo ou tarde a execução daquele específico ásana chega ao fim, mas tudo o que se vivenciou nele está impregnado no corpo, na mente e na alma. Assim, preparado para executar o próximo ásana, deve-se estar aberto à novas experiências e aprendizados, consciente de que uma transformação já aconteceu em função do ásana anterior, mas que a transformação é contínua, incessante, eterna. Assim como o aprendizado.

Kutub Minar, Nova Delhi, Índia

A vida é feita de ciclos, portanto estar consciente de cada ciclo, é estar consciente da própria vida. É ser uma eterna testemunha de si mesmo, consciente de que a própria vida é também apenas um ciclo, repleta de aprendizados e que tem um começo, um meio e que um dia chega ao fim.
Portanto, estar aberto e pronto para uma nova vida, só depende de se aceitar o quanto não se sabe. Aceitar a infinitude do Universo e dos seus mistérios.


"Você é sempre livre para mudar de idéia e escolher um futuro diferente...
ou um passado diferente."
Richard Bach