Sunday, October 26, 2008

Deepavali - o festival das luzes

27 de outubro de 2008
Deepavali ou Diwali é um dos mais celebrados festivais da Índia. A palavra Deepavali se origina de duas palavras sânscritas: deepa que significa “luz” e Avali que significa “fileira”. Assim, Deepavali é chamado de “o festival das luzes”.
Para se celebrar o Deepavali, os hindus acendem lamparinas, tomam banhos aromáticos, fazem desenhos multicoloridos no chão feitos com farinha de arroz, limpam e decoram as casas, vestem roupas novas, preparam doces em casa, estouram fogos de artifício, e veneram as vacas como sendo encarnações da deusa Lakshmi (deusa da abundância e prosperidade) e Lakshimi Puja (oferenda a Lakshmi).

Existem duas principais estórias relacionadas à mitologia que explicam a importância do Deepavali.

Na primeira estória, o Deepavali significa o retorno de Lord Rama do seu exílio na floresta a seu reino Ayodhya após sua conquista vitoriosa sobre o cruel rei Ravana. Por um longo período Ayodhya foi mergulhada na escuridão quando Rama estava em seu exílio na floresta. Em sua ausência, a radiante Ayodhya foi uma cidade de escuridão, mas as florestas estavam cheias de luz. O retorno de Rama foi saudado pelo povo de Ayodhya como o retorno do esplendor divino e por isso os hindus celebram o evento com lamparinas espalhadas por todo lugar. Esta estória tem importância maior no norte da Índia.

No sul da Índia, Deepavali representa a vitória de Lord Krishna sobre o poderoso asura (demônio) Narakasura. Narakasura se tornou uma ameaça para os deuses no céu e se apoderou dos esplêndidos brincos de Aditi (a Deusa Mãe) e aprisionou as dezesseis mil filhas dos deuses em seu harém. Em desespero os deuses liderados por Indra solicitaram a Lord Krishna para destruir o demônio pois ele estava espalhando destruição. Krishna concordou prontamente e travou uma luta feroz e saiu vitorioso. Isso aconteceu depois que ele aceitou as dezesseis mil donzelas como suas esposas como solicitado por elas mesmas.

O significado por traz dessas estórias mitológicas é que o vilão da estória representa o ego dominado pelos desejos. Em nossas vidas, é o nosso ego e nossos desejos que nos causam transtornos e sofrimentos. Na estória de Lord Krishna, as dezesseis mil donzelas representam nossos inumeráveis desejos. Quando eles são controlados pelo nosso ego eles causam destruição e nos privam de nossa verdadeira felicidade. Mas quando são controlados e sublimados são substituídos pela luz da sabedoria, nos tornando conscientes de que somos divinos e livres do que o mundo dos sentidos tem a nos oferecer.

A chama da lamparina tem duas qualidades. Uma é banir a escuridão, a outra é seu contínuo movimento ascendente. Por essa razão, os sábios veneram a lamparina da sabedoria como a chama que guia os homens para estados superiores. Juntamente com o ato de acender lamparinas externas, o homem deve esforçar-se para acender as lamparinas dentro de si mesmo.

Deepavali é um festival designado a celebrar a supressão do Ego pelo Eu Superior. O homem é mergulhado na escuridão da ignorância e perde seu poder de discriminação entre o permanente e o transitório. Quando a escuridão da ignorância causada por Ahamkara (ego) é dispersada pela luz da Divina sabedoria, o esplendor do Divino é experenciado.

O significado íntimo de Deepavali é guiar o homem da escuridão para a luz. O ser humano é perpetuamente mergulhado na escuridão. Deve então acender uma lamparina que está sempre brilhando dentro de si e levá-la consigo aonde quer que vá, iluminando sempre seu caminho.

"asato ma sadgamaya
tamaso ma jyotirgamaya
mrtyorma amrtam gamaya"
(Brhadaranyaka Upanishad — I.iii.28)

Tradução: Guie-me de “Asat” para “Sat”
Guie-me da escuridão para a luz
Guie-me da morte para a imortalidade”

Sat = existência, realidade, verdade
asat = não-existência, não realidade, não verdade

Saturday, October 4, 2008

Autoconhecimento e Liberdade

Todos anseiam pela liberdade. Claro, seria ótimo simplesmente fazer tudo aquilo que queremos a qualquer momento. Mas isso é realmente liberdade? A verdadeira liberdade é algo mais profundo e que, na verdade, anda de mãos dadas com a responsabilidade e com a consciência de si mesmo, das outras pessoas e do mundo ao nosso redor.

Se por alguma razão existe uma certa pressão ou restrição em algum aspecto da vida, é natural nos sentirmos incomodados e logo clamar pela tal "liberdade". Mas são justamente essas situações que devem levantar a questão sobre o que é a verdadeira liberdade.

Liberdade é uma escolha, e como tal, envolve ganhos e perdas. Por isso, deve ser feita de forma consciente, responsável e verdadeira. E muitas vezes descobrir a verdade é um caminho longo e que exige uma boa dose de esforço e dedicação.

Na maioria das vezes é mais fácil saber o que não queremos. Uma situação que traz aborrecimento, incômodo, irritação faz aflorar dentro de nós o desejo de nos libertarmos dela o mais breve possível. Mas aí fica a questão: "sei muito bem o que eu não quero... mas o que eu realmente quero? O que é que vai me trazer a verdadeira liberdade?"

Quando sabemos o que realmente queremos fica mais fácil optarmos e obtermos a verdadeira liberdade. Mas para se saber o que realmente queremos, a busca pelo autoconhecimento é imprescindível. Não existe outro caminho.

Devemos aprender a escutar de forma profunda e verdadeira qual é a revelação -- ou revelações -- feita pela nossa alma, ou seja, pela nossa verdadeira essência.

Muitas vezes a percepção do queremos hoje é completamente diferente do que quisemos ontem, e muito provavelmente será diferente também do que se desejaremos amanhã. Essa consciência da própria mutabilidade a que todos estamos sujeitos mostra que um certo grau de autoconhecimento já foi alcançado, e isso faz com que as nossas escolhas sejam mais conscientes. A mutabilidade acontece porque não estamos habituados a escutar a nossa alma, mas sim, a nossa mente.

O que a mente deseja é passageiro, é temporário. Uma vez alcançado o objeto desse desejo, logo outro aparece. É um caminho sem fim. O desejo mutável é aquele que nasce da nossa mente, que se baseia em expectativas e anseios em relação a objetos externos.

O que a alma nos revela é eterno. Essa revelação estará sempre presente pois se baseia em algo que está dentro de nós, que é parte da nossa verdadeira essência. Nossa alma é que nos mostra o caminho da verdadeira liberdade. Por ser uma liberdade consciente e verdadeira ela é também abrangente e envolve a tudo e a todos ao seu redor.

A alma é mais sutil do que a mente. Para escutá-la de verdade é imprescindível aquietar a mente. Neste caso, o caminho a ser trilhado é o da meditação que deve ser praticada com despojamento de valores e atitudes.

É importante não confundir as revelações feitas pela nossa alma com os apelos da mente. Cabe a cada um de nós a capacidade de distingui-los. Essa capacidade se desenvolve naturalmente à medida que progredimos no caminho do autoconhecimento. Quando se é verdadeiramente livre, não existe situação externa, qualquer que seja, que afete esse estado de liberdade.

Liberdade verdadeira é um estado permanente pois se origina na nossa alma que é uma parte da grande Alma Universal, que é imutável e eterna.

O autoconhecimento e a liberdade são
obtidos através das revelações feitas pela nossa verdadeira essência.