Monday, September 22, 2014


Olá!

Meu nome é Mônica Stefanelli, sou brasileira e instrutora de Yoga desde 2000. Durante 13 anos ministrei práticas de Yoga aos meus alunos na cidade de São Paulo (SP), no Brasil. No final de 2013 me mudei para os Estados Unidos. Por esse motivo, tive de interromper minhas atividades no meu país.

Morando agora em Tempe, no ensolarado estado do Arizona, gostaria de retomar o meu trabalho. Afinal, sou apaixonada pelo que faço e a energia e a luz do Sol são mais do que inspiradores para praticantes diários da Saudação ao Sol!
Assim, para que você conheça melhor o meu trabalho, abaixo seguem alguns pontos que considero importante destacar. Primeiro uma breve descrição do que é o Yoga, seguido pelas técnicas que abordo na minha prática e, por último, falo um pouco da minha formação e vivência do Yoga.
Espero que você aproveite a leitura, e qualquer dúvida, entre em contato comigo. Obrigada! 

Namaste!

Monica Stefanelli

www.lotusparvati.blosgpot.com


O YOGA 
O Yoga é uma filosofia prática, surgida na Índia há milhares de anos, cujo objetivo é a expansão da consciência através do auto-conhecimento.
Em busca de sua verdadeira essência, o praticante de Yoga utiliza técnicas e procedimentos milenares que sobrevivem e são aprimorados através dos séculos. Adquire nessa busca um corpo forte e flexível, amplia sua capacidade pulmonar, ganha equilíbrio e controle sobre suas emoções, aumenta a disposição e a serenidade, aperfeiçoa a concentração e o raciocínio, desenvolve a intuição, estimula as potencialidades mentais e melhora a sua saúde como um todo. Além disso, compreende a capacidade que possui de influenciar seu estado mental, emocional e físico, conscientiza-se da unidade corpo-mente-alma e aprende a conviver harmoniosamente com suas capacidades, potenciais e limitações.
O praticante de Yoga adquire auto-conhecimento através da observação constante de si mesmo. Amplia a consciência que tem de si próprio, das outras pessoas e do mundo ao seu redor desenvolvendo uma consciência de solidariedade.
Através da prática das técnicas do Yoga, busca alcançar o estado meditativo. E é por meio da prática da meditação que se alcança a expansão da consciência, meta final do Yoga. Para isso, o praticante deve ter força de vontade, disciplina, perseverança e paciência. O que acaba sendo fácil, pois praticar Yoga, por si só, é muito prazeroso e gratificante! Logo nas primeiras práticas a sensação de bem-estar é evidente. A melhora da saúde e da disposição, o aumento da vitalidade e da serenidade e, conseqüentemente, a melhora da qualidade de vida chega rapidamente. A pessoa aprende a transformar obstáculos em desafios a serem vencidos e a ser livre de forma plena e consciente. 
Mas, apenas falar sobre Yoga acaba sendo vago. A sua própria definição já diz: é uma filosofia prática, portanto, deve ser vivenciada, experimentada na sua totalidade. Somente por meio da prática é que você poderá perceber a transformação que o Yoga traz ao seu corpo, a sua mente e a sua vida! 

"O Yoga deve conhecer-se por meio do Yoga. O Yoga se manifesta mediante o Yoga. Aquele que se aplica sem descanso ao Yoga, no final encontra no Yoga uma alegria permanente." Vyasa, Yoga Bhasya 


A PRÁTICA 
As minhas práticas são baseadas nas técnicas do Yoga antigo - Hatha Yoga - com acréscimo de técnicas modernas, compondo uma vivência intensa do yoga, proporcionando um profundo mergulho interior. 
Procuro executar um trabalho personalizado, explorando as potencialidades e respeitando os limites de cada um. 

As práticas têm a duração de uma hora a uma hora e meia e são compostas por: 
Ásana - posturas psicofísicas-energéticas; 
Kriyá - técnicas de purificação corporal; 
Yoganidrá - técnicas de descontração consciente; 
Pránáyáma - técnicas respiratórias;
Mantra - vocalização de sons e ultra-sons; 

Samyama - concentração, meditação e hiperconsciência. 

Ásana 
As posturas do Yoga tornam o corpo todo mais forte e flexível e despertam a consciência corporal. Melhoram a distribuição de sangue pelo corpo e desbloqueiam os canais energéticos proporcionando a livre fluência da energia vital, promovendo um corpo mais saudável. Relaxam tensões físicas e mentais. Os efeitos dos ásanas são sentidos no corpo físico - fisiológico - e também no corpo sutil - emocional, mental - e preparam o corpo para permanecer mais tempo nas posturas meditativas.






Kriyá
Técnicas que visam a purificação interna do corpo e auxiliam no progresso na prática. 

Yoganidrá
Técnica de relaxamento profundo e consciente que promove a assimilação dos efeitos das posturas e o aprofundamento no mergulho interior. O praticante alcança um estado de serenidade profundo e consciente. 

Pránáyáma 
Amplia a capacidade pulmonar, melhora a absorção do oxigênio e elimina toxinas. Além de expandir a energia vital e melhorar a sua distribuição por todo o corpo, o pránáyáma ajuda a aumentar a concentração e, principalmente, aquietar a mente, produzindo um estado de equilíbrio interior. 

Mantra 
Leva o praticante ao silêncio e ao espaço interior. 

Meditação
Sentar-se, aquietar-se e observar-se. Voltar todo o foco de atenção para dentro de si mesmo onde estão todas as respostas. Através da meditação busca-se o estado natural de quietude mental. A meditação é o caminho para a expansão da consciência, meta do Yoga. 


A INSTRUTORA

Como profissional de Yoga, me dedico a transmitir as técnicas de forma clara aos meus praticantes. O estilo de condução das minhas práticas é baseado na minha história de vida e em meu desenvolvimento dentro do Yoga. 
Acredito que o que faz toda a diferença é que amo o que faço e olho para cada praticante como sendo único, com suas potencialidades e limites particulares. 
Sou formada em Administração de Empresas, descobri o Yoga há vários anos e me apaixonei por essa filosofia milenar. Dediquei-me profundamente às práticas e aos estudos e decidi me formar instrutora para vivenciar ainda mais profundamente o Yoga e levar às outras pessoas conhecimento sobre essa filosofia que mudou a minha vida. Desisti de uma carreira gerencial promissora em uma grande empresa e me dediquei exclusivamente ao Yoga, onde concentro toda minha energia me envolvendo com dedicação e amor naquilo que faço. 
Sou filiada à Aliança do Yoga no Brasil e participei de diversos cursos e workshops ministrados por profissionais como Pedro Kupfer, Anderson Allegro, entre outros. 
Realizei viagens à Índia para estar ainda mais próxima às origens dessa filosofia milenar. 
Possuo formação em Yoga e Especialização em Yogaterapia pela Humaniversidade Holística, curso reconhecido pela Aliança do Yoga. 
Possuo também formação em Yoga pelo Núcleo de Estudos Yoga Natarája e extensão universitária pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo em “Auto-conhecimento pela Meditação”, também promovido pelo Núcleo de Estudos Yoga Natarája.

Fotos por Tomaz Vello - www.tomazvello.com

Thursday, September 10, 2009

Navaratri - o festival das nove noites

Nav significa 'nove' e ratri 'noite'. Assim, Navaratri significa nove noites. É mais um dos festivais hindus que simbolizam o triunfo do bem sobre o mal. O Navaratri acontece no começo de outubro e, como o próprio nome diz, tem a duração de nove dias. Navaratri é também conhecido como Durga Pujá.
No Navaratri Deus é adorado como a “Mãe”. O hinduismo é a única religião do mundo que enfatiza tanto o aspecto materno de Deus.

Há muitas lendas associadas ao conceito do Navaratri, assim como todos os festivais hindus. Todas elas são relacionados à Deusa Shakti (a Deusa Mãe hindu) e suas variadas formas – Durga, Lakshmi e Saraswati - e é um dos festivais mais celebrados do calendário hindu.
Os três primeiros dias são dedicados à deusa Durga – a deusa guerreira – vestida de vermelho e montada em um tigre. Suas várias encarnações – Kumari, Parvati e Kali – são adoradas durante esses dias. Elas representam os três estágios da mulher: a criança, a jovem e a mulher madura.
Durga

Os três dias seguintes são dedicados à deusa Lakshmi – a deusa da riqueza e prosperidade. Lakshmi se veste de dourado, tendo como veículo uma coruja.

Lakshmi

Os últimos três dias são dedicados à deusa Saraswati – a deusa do conhecimento – vestida de puro branco e tendo como veículo um cisne branco.


Saraswati

O décimo dia do festival é chamado Dussehra (ou Dasara), e simboliza o triunfo do bem sobre o mal (simbolizado pela vitória de Rama sobre Ravana, do épico Ramayana).

Para a celebração são preparados vários doces, e crianças e adultos se vestem de roupas novas e de cores claras.

O sentido espiritual do Navaratri:
- nos três primeiros dias, Durga, a guerreira, que simboliza força e poder supremos, destrói as nossas impurezas e vícios;
- nos três dias seguintes, após a purificação realizada pela deusa Durga, Lakshmi, a deusa da riqueza e prosperidade, nos traz as qualidades necessárias para recebermos conhecimento e adquirirmos sabedoria;
- nos últimos três dias, a Deusa Saraswati nos proporciona o conhecimento e a sabedoria necessários para a nossa evolução espiritual
.

Wednesday, July 8, 2009

O ciclo da vida

Após vários meses resolvi escrever novamente no meu blog. Durante esse período, minha mente esteve focada em outras situações e eventos, e acabei perdendo a inspiração e o tempo para escrever. Não que isso tenha sido ruim, apenas o foco foi desviado e a distribuição da energia nas minhas atividades do dia-a-dia foi um pouco alterada. Mas o importante é que estava atenta a este momento e que, como tudo na vida, consciente de que ele também iria passar. A vida é assim mesmo, feita de ciclos, por isso cá estou eu de volta. Agradeço aqueles que questionaram a minha ausência no meu blog e que estavam sempre aguardando por novos textos.


E é exatamente sobre os ciclos da vida que eu escrevo hoje. Pensando em quantos milhões de ciclos, diria até "zilhões" pelos quais passa a nova vida. Afinal estamos o tempo todo em eterna e contínua transformação, desde o momento em que nascemos; mesmo que algumas dessas transformações sejam inconscientes num primeiro momento ou até mesmo por toda vida.


Cada ciclo deve ser vivido de forma consciente. Um mesmo ciclo também é composto de distintas fases, e cada uma dessas fases também deve ser vivida conscientemente. Deve-se praticar a auto-observação constante, assim como observar o que acontece ao redor. Assim, adquire-se a capacidade de ser testemunha de si próprio, consciente de que o ciclo é transformador, e que ele regenera o corpo, a mente e a alma. De que ao término de cada ciclo uma nova pessoa é revelada, com mais conhecimento sobre si próprio, a vida, os outros e o mundo ao redor. Esse conhecimento, que é obtido através da observação, ponderação e análise de si mesmo e de tudo o que acontece, acaba contribuindo para a verdadeira sabedoria - que é obtida não apenas pelas experiências que se vive externamente, no relacionamento com as pessoas, objetos, eventos, situações, o mundo ao redor - mas principalmente pelas experiências vividas interiormente, no contato mais íntimo, profundo e verdadeiro com a própria essência. E ao fim de cada ciclo, renovado e dotado de mais conhecimento e sabedoria, deve-se tambér ser sábio o suficiente para aceitar o fato de que o conhecimento e/ou sabedorias adquiridos são apenas uma parcela mínima do que ainda se tem para aprender; aceitar o quanto ainda não se sabe e estar pronto para mais um novo ciclo, consciente e atento à cada transformação.

Traçando um paralelo com a prática de yoga, utilizo como exemplo uma das técnicas da prática do Hatha-Yoga: o ásana. O modo como se vivencia cada postura: a consciência da postura em si, do que ela traz ao corpo, à respiração, à mente, à percepção do nível do autoconhecimento, entre outros aspectos. Cedo ou tarde a execução daquele específico ásana chega ao fim, mas tudo o que se vivenciou nele está impregnado no corpo, na mente e na alma. Assim, preparado para executar o próximo ásana, deve-se estar aberto à novas experiências e aprendizados, consciente de que uma transformação já aconteceu em função do ásana anterior, mas que a transformação é contínua, incessante, eterna. Assim como o aprendizado.

Kutub Minar, Nova Delhi, Índia

A vida é feita de ciclos, portanto estar consciente de cada ciclo, é estar consciente da própria vida. É ser uma eterna testemunha de si mesmo, consciente de que a própria vida é também apenas um ciclo, repleta de aprendizados e que tem um começo, um meio e que um dia chega ao fim.
Portanto, estar aberto e pronto para uma nova vida, só depende de se aceitar o quanto não se sabe. Aceitar a infinitude do Universo e dos seus mistérios.


"Você é sempre livre para mudar de idéia e escolher um futuro diferente...
ou um passado diferente."
Richard Bach


Sunday, October 26, 2008

Deepavali - o festival das luzes

27 de outubro de 2008
Deepavali ou Diwali é um dos mais celebrados festivais da Índia. A palavra Deepavali se origina de duas palavras sânscritas: deepa que significa “luz” e Avali que significa “fileira”. Assim, Deepavali é chamado de “o festival das luzes”.
Para se celebrar o Deepavali, os hindus acendem lamparinas, tomam banhos aromáticos, fazem desenhos multicoloridos no chão feitos com farinha de arroz, limpam e decoram as casas, vestem roupas novas, preparam doces em casa, estouram fogos de artifício, e veneram as vacas como sendo encarnações da deusa Lakshmi (deusa da abundância e prosperidade) e Lakshimi Puja (oferenda a Lakshmi).

Existem duas principais estórias relacionadas à mitologia que explicam a importância do Deepavali.

Na primeira estória, o Deepavali significa o retorno de Lord Rama do seu exílio na floresta a seu reino Ayodhya após sua conquista vitoriosa sobre o cruel rei Ravana. Por um longo período Ayodhya foi mergulhada na escuridão quando Rama estava em seu exílio na floresta. Em sua ausência, a radiante Ayodhya foi uma cidade de escuridão, mas as florestas estavam cheias de luz. O retorno de Rama foi saudado pelo povo de Ayodhya como o retorno do esplendor divino e por isso os hindus celebram o evento com lamparinas espalhadas por todo lugar. Esta estória tem importância maior no norte da Índia.

No sul da Índia, Deepavali representa a vitória de Lord Krishna sobre o poderoso asura (demônio) Narakasura. Narakasura se tornou uma ameaça para os deuses no céu e se apoderou dos esplêndidos brincos de Aditi (a Deusa Mãe) e aprisionou as dezesseis mil filhas dos deuses em seu harém. Em desespero os deuses liderados por Indra solicitaram a Lord Krishna para destruir o demônio pois ele estava espalhando destruição. Krishna concordou prontamente e travou uma luta feroz e saiu vitorioso. Isso aconteceu depois que ele aceitou as dezesseis mil donzelas como suas esposas como solicitado por elas mesmas.

O significado por traz dessas estórias mitológicas é que o vilão da estória representa o ego dominado pelos desejos. Em nossas vidas, é o nosso ego e nossos desejos que nos causam transtornos e sofrimentos. Na estória de Lord Krishna, as dezesseis mil donzelas representam nossos inumeráveis desejos. Quando eles são controlados pelo nosso ego eles causam destruição e nos privam de nossa verdadeira felicidade. Mas quando são controlados e sublimados são substituídos pela luz da sabedoria, nos tornando conscientes de que somos divinos e livres do que o mundo dos sentidos tem a nos oferecer.

A chama da lamparina tem duas qualidades. Uma é banir a escuridão, a outra é seu contínuo movimento ascendente. Por essa razão, os sábios veneram a lamparina da sabedoria como a chama que guia os homens para estados superiores. Juntamente com o ato de acender lamparinas externas, o homem deve esforçar-se para acender as lamparinas dentro de si mesmo.

Deepavali é um festival designado a celebrar a supressão do Ego pelo Eu Superior. O homem é mergulhado na escuridão da ignorância e perde seu poder de discriminação entre o permanente e o transitório. Quando a escuridão da ignorância causada por Ahamkara (ego) é dispersada pela luz da Divina sabedoria, o esplendor do Divino é experenciado.

O significado íntimo de Deepavali é guiar o homem da escuridão para a luz. O ser humano é perpetuamente mergulhado na escuridão. Deve então acender uma lamparina que está sempre brilhando dentro de si e levá-la consigo aonde quer que vá, iluminando sempre seu caminho.

"asato ma sadgamaya
tamaso ma jyotirgamaya
mrtyorma amrtam gamaya"
(Brhadaranyaka Upanishad — I.iii.28)

Tradução: Guie-me de “Asat” para “Sat”
Guie-me da escuridão para a luz
Guie-me da morte para a imortalidade”

Sat = existência, realidade, verdade
asat = não-existência, não realidade, não verdade

Saturday, October 4, 2008

Autoconhecimento e Liberdade

Todos anseiam pela liberdade. Claro, seria ótimo simplesmente fazer tudo aquilo que queremos a qualquer momento. Mas isso é realmente liberdade? A verdadeira liberdade é algo mais profundo e que, na verdade, anda de mãos dadas com a responsabilidade e com a consciência de si mesmo, das outras pessoas e do mundo ao nosso redor.

Se por alguma razão existe uma certa pressão ou restrição em algum aspecto da vida, é natural nos sentirmos incomodados e logo clamar pela tal "liberdade". Mas são justamente essas situações que devem levantar a questão sobre o que é a verdadeira liberdade.

Liberdade é uma escolha, e como tal, envolve ganhos e perdas. Por isso, deve ser feita de forma consciente, responsável e verdadeira. E muitas vezes descobrir a verdade é um caminho longo e que exige uma boa dose de esforço e dedicação.

Na maioria das vezes é mais fácil saber o que não queremos. Uma situação que traz aborrecimento, incômodo, irritação faz aflorar dentro de nós o desejo de nos libertarmos dela o mais breve possível. Mas aí fica a questão: "sei muito bem o que eu não quero... mas o que eu realmente quero? O que é que vai me trazer a verdadeira liberdade?"

Quando sabemos o que realmente queremos fica mais fácil optarmos e obtermos a verdadeira liberdade. Mas para se saber o que realmente queremos, a busca pelo autoconhecimento é imprescindível. Não existe outro caminho.

Devemos aprender a escutar de forma profunda e verdadeira qual é a revelação -- ou revelações -- feita pela nossa alma, ou seja, pela nossa verdadeira essência.

Muitas vezes a percepção do queremos hoje é completamente diferente do que quisemos ontem, e muito provavelmente será diferente também do que se desejaremos amanhã. Essa consciência da própria mutabilidade a que todos estamos sujeitos mostra que um certo grau de autoconhecimento já foi alcançado, e isso faz com que as nossas escolhas sejam mais conscientes. A mutabilidade acontece porque não estamos habituados a escutar a nossa alma, mas sim, a nossa mente.

O que a mente deseja é passageiro, é temporário. Uma vez alcançado o objeto desse desejo, logo outro aparece. É um caminho sem fim. O desejo mutável é aquele que nasce da nossa mente, que se baseia em expectativas e anseios em relação a objetos externos.

O que a alma nos revela é eterno. Essa revelação estará sempre presente pois se baseia em algo que está dentro de nós, que é parte da nossa verdadeira essência. Nossa alma é que nos mostra o caminho da verdadeira liberdade. Por ser uma liberdade consciente e verdadeira ela é também abrangente e envolve a tudo e a todos ao seu redor.

A alma é mais sutil do que a mente. Para escutá-la de verdade é imprescindível aquietar a mente. Neste caso, o caminho a ser trilhado é o da meditação que deve ser praticada com despojamento de valores e atitudes.

É importante não confundir as revelações feitas pela nossa alma com os apelos da mente. Cabe a cada um de nós a capacidade de distingui-los. Essa capacidade se desenvolve naturalmente à medida que progredimos no caminho do autoconhecimento. Quando se é verdadeiramente livre, não existe situação externa, qualquer que seja, que afete esse estado de liberdade.

Liberdade verdadeira é um estado permanente pois se origina na nossa alma que é uma parte da grande Alma Universal, que é imutável e eterna.

O autoconhecimento e a liberdade são
obtidos através das revelações feitas pela nossa verdadeira essência.

Wednesday, September 10, 2008

Ásana - parte 3

Outro tipo de sentimento que pode ocorrer na tentativa de execução do ásana é a pressa em executá-lo. Na ansiedade de querer dominar a postura o não prestar atenção a detalhes como posicionamento correto de articulações, intensidade do relaxamento ou contração da musculatura, entre outros, pode ocasionar lesões ao corpo, às vezes sérias.


O imediatismo é uma característica marcante dos nossos tempos, e é bem possível trazê-lo para a sala de prática. A sugestão então é aproveitar o momento da sua prática para exercer o "não-imediatismo": observando-se em cada passo para execução da postura, percebendo todo o corpo, a respiração, o alinhamento, onde você concentra a energia e o esforço para a execução, as sensações e as emoções que tomam conta de você durante todo o processo de execução do ásana.

Limites existem para serem conhecidos e respeitados. O desejo de superá-los é algo saudável, mas deve-se ter em mente que muitas vezes esse desejo pode não corresponder à sua viabilidade. Observe-se e perceba se a superação do limite, num determinado momento ou situação, é possível. Se não for, simplesmente aceite isso.


Observe se você não está valorizando demais o limite que, a princípio não pode ser superado, em detrimento de alguma potencialidade sua, algo que você tem e que pode desenvolver ainda mais. Preste atenção a isso, observe-se. O prestar atenção a cada detalhe, o estar presente 100% no "aqui e agora" é o que proporciona um maior conhecimento do seu corpo e de si próprio - auto-conhecimento baseado em respeito e aceitação.


"Dê me serenidade para aceitar as coisas que não posso
mudar, coragem para mudar as coisas que posso e
sabedoria para reconhecer a diferença". Reinhold Niebuhr

Sunday, June 22, 2008

Ásana - parte 2

Diante de um ásana considerado “difícil” pelo praticante diversos sentimentos tomam conta de sua mente e corpo. Muitas vezes, a primeira reação é não acreditar que é capaz de executa-lo. Talvez num primeiro momento, equilibrar-se sobre apenas um pé ou sobre as duas mãos, ou ficar de ponta-cabeça, por exemplo, possa parecer algo “impossível” para quem nunca executou algo do tipo.

Sentimentos como medo e insegurança muitas vezes estão guardados no inconsciente, e o fato de traze-los à consciência pode desencadear reações como fuga e desistência justamente para não ter de lidar com seus limites e potencialidades.

O importante não é executar o ásana inteiro, mas executá-lo com prudência e consciência, passo a passo, ouvindo o seu corpo o tempo todo. Ficar atento às sensações – em músculos e em articulações; à cada detalhe do alinhamento – uma pequena alteração no posicionamento dos cotovelos, por exemplo, quando na execução do sirshásana (invertida sobre a cabeça); à respiração – que deve fluir consciente o tempo todo; ao conforto e à estabilidade; e aos sentimentos relacionados ao sucesso ou não que o ásana desperta em você (satisfação, frustração, domínio, irritação...)

À princípio, pode parecer muita coisa ao mesmo tempo para se prestar atenção, mas com a prática seu corpo e mente assimilam esse aprendizado e então tudo flui naturalmente.



Yoga é autoconhecimento, portanto lidar com sentimentos, limites e potencialidades é parte essencial da prática.

É somente a partir da tentativa – ou tentativas – que você poderá executar o ásana dando o melhor de si. E "melhor de si" não é necessariamente a execução do ásana completo, como talvez execute seu instrutor ou seu companheiro de prática, mas aquele que você executa com consciência, escutando seu corpo, atento a cada sensação, à respiração. Aquele que você executa totalmente concentrado no que faz, presente no "aqui e agora", respeitando seus limites e explorando suas potencialidades; onde você está inteiro vivenciando a unidade corpo-mente, sentindo-se firme e confortável (no espaço ao lado coloco um breve texto sobre Patanjali, filósofo indiano que conceitua o ásana).


Abaixo seguem algumas dicas para a execução do ásana:
- para iniciar a realização do ásana observe primeiro o seu instrutor executando-o, fique atento aos detalhes do alinhamento do corpo, posicionamento de mãos, pés e cabeça, etc
- ouça com atenção às instruções
- quando for executar o ásana sinta efetivamente cada parte do seu corpo, perceba o que seu corpo quer te dizer – observe o seu próprio alinhamento, as sensações em articulações e músculos
- a respiração deve fluir consciente o tempo todo
- procure 'relaxar no esforço' observando se você não está contraindo músculos que não precisam estar tensos
- permaneça na postura, no limite do seu conforto e sempre respeitando seu corpo - a permanência é uma das características do ásana
- observe seus sentimentos e pensamentos
- esteja apenas no “aqui e agora”
- dê o melhor de si... você é o próprio ásana

E lembre-se que todo aprendizado que você adquire durante a prática de yoga, você leva para a sua vida "lá fora".

O tema ásana continua no próximo texto.

Namastê!

"Penetrado do espírito de yoga, ó príncipe, realiza os teus trabalhos e mantém-te em sereno equilíbrio, na certeza de que tanto o sucesso quanto o insucesso são bons. Essa serenidade interior é o yoga." Bhagavad Gita, cap. II, 48.

"Sem fé não há esforço. Sem esforço não há realização." Sarvavedanta Siddhanta Sarasamgraha