Saturday, June 7, 2008

Ásana

Como professora de Yoga, convivo com vários tipos de praticantes, o que é, sem dúvida, uma experiência muito gratificante e enriquecedora.

Entre tantas histórias, personalidades e situações diferentes, aprendo muito sobre o mundo, as pessoas e sobre mim mesma. Vez ou outra, ouço o comentário: "aprendo muito com a prática do Yoga". É muito bom saber que o Yoga faz parte da vida dos meus alunos. E se isso acontece, é porque existe, por parte do praticante, uma receptividade em relação aos ensinamentos dessa filosofia prática milenar.

Uma das técnicas mais conhecidas do Yoga são as posturas, ou técnicas corporais, cujo nome original em sânscrito é ásana. No decorrer das práticas, durante a execução dos ásanas, ouço comentários do tipo: "que postura difícil!", ou então "nunca vou conseguir fazer esse ásana!". O fato de lidar com uma postura diferente – equilibrar-se apenas sobre as mãos, ficar de ponta cabeça, rotar a coluna, etc – a qual o praticante, especialmente o iniciante, nunca pensou que um dia fosse tentar executar, talvez acione uma reação como essa.


O corpo e a mente condicionados a uma rotina “normal” não estão acostumados a este tipo de acontecimento (lembrando que corpo e mente são uma unidade, integrados, e que os ásanas são ferramentas vivenciais dessa unidade). E muitas vezes a primeira reação frente a uma situação como essa é negar, fugir, não acreditar. O velho medo do desconhecido e de lidar com seus próprios limites e, principalmente, lidar com suas próprias potencialidades. Sim, muitas pessoas, mesmo sem saber, têm mais medo do sucesso do que do fracasso (no quadro ao lado, coloquei um texto Marianne Williamson que fala sobre esse tema). Existe também um outro tipo de reação: a pressa em realizar a postura, reflexo do imediatismo tão comum em nossa sociedade moderna.

A auto-observação constante é “pré-requisito” do praticante de Yoga. Os sentimentos, questionamentos, escolhas e atitudes tomadas dentro da sala de prática são uma réplica do que se vivencia no “mundo lá fora”. E, como uma roda que gira sem parar, o caminho inverso também acontece: os sentimentos, questionamentos, escolhas e atitudes tomadas dentro da sala de prática são expandidas pro “mundo lá fora”. Por isso o Yoga é algo que faz parte da vida do praticante 24 horas por dia e não apenas naquele momento em que se está presente na sala de prática.

No próximo texto darei continuidade ao tema ásana.

Namastê!


"Aquele que percebe a verdade do corpo pode vir a conhecer a verdade do Universo."

Ratnasara



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