Nos diversos contatos com as pessoas em minha vida diária tenho observado que várias delas vivenciam sérios dilemas entre o que são e o que gostariam de ser profissionalmente. Após refletir sobre o assunto, conclui que isso acontece porque as pessoas se dividem, não são 100% inteiras. Para simplificar a explanação do meu raciocínio, digo que as pessoas se dividem em duas partes. Uma, que aqui chamo de "interior", é mais introspectiva, intuitiva, conectada com a sua verdadeira essência, sendo esta última a fonte e fundamento de suas escolhas. A outra parte, que aqui chamo de "exterior", é mais extrovertida, racional, social, menos conectada com seu verdadeiro eu, levando as pessoas a apoiarem suas escolhas em modelos externos. Praticamente, todo ser humano é dividido em tendências "interiores” e "exteriores", mas o que acaba predominando em nossa sociedade são as "exteriores".
Acredito que isso aconteça porque em nossa civilização ocidental somos acostumados e treinados desde pequenos a olhar para fora, a nos espelhar em modelos conceituados pela sociedade como "ideais". O sucesso é medido apenas pelas conquistas externas, tais como status, bens materiais, quantidade de dinheiro e poder. E sabemos que, em nossa sociedade, estes dois últimos são sinônimos. Somos tão condicionados a valores externos que não temos consciência da extensão da influência que eles têm em nossas vidas. Esquecemos de escutar a nossa alma, o nosso eu interior. Quando nossa alma nos envia sinais, muitas vezes ignoramos ou pensamos que é algo passageiro ou sem importância; ou, se resolvemos dar atenção a esses sinais, ficamos divididos, sem ação, sem saber que direção tomar.
Ainda jovens e inexperientes (na maioria dos casos), somos obrigados a escolher uma profissão que, a princípio, nos acompanhará pelo resto de nossas vidas. E aí, resumidamente, acontecem três tipos de situação:
1ª) a pessoa já tem certo o que quer para a sua vida profissional, porque desde bem jovem já escutava o chamado da alma, já sentia a vocação, o talento para a medicina, a arquitetura, a advocacia, ou qualquer outra profissão considerada "ideal" pela sociedade. E aí, fica mais fácil.
2ª) a pessoa já tem certo o que quer para a sua vida profissional, porque desde bem jovem já sentia a vocação, o talento para ser astrólogo, professor de yoga ou dança, guia turístico... Aí fica mais difícil, pois se a família não o apóia, ele tem de abdicar da sua verdadeira vocação para tentar algo conceituado como "mais promissor", como um curso de administração de empresas, economia, etc.
3ª) a pessoa não sabe o que quer para sua vida profissional, e daí o leque de opções se restringe ao que a sociedade novamente considera como sendo "ideal", profissões que dêem status e que garantam uma boa posição futuramente, de preferência numa grande empresa: engenharia, economia, advocacia, administração de empresas... é só escolher dentre tantas opções.
1ª) a pessoa já tem certo o que quer para a sua vida profissional, porque desde bem jovem já escutava o chamado da alma, já sentia a vocação, o talento para a medicina, a arquitetura, a advocacia, ou qualquer outra profissão considerada "ideal" pela sociedade. E aí, fica mais fácil.
2ª) a pessoa já tem certo o que quer para a sua vida profissional, porque desde bem jovem já sentia a vocação, o talento para ser astrólogo, professor de yoga ou dança, guia turístico... Aí fica mais difícil, pois se a família não o apóia, ele tem de abdicar da sua verdadeira vocação para tentar algo conceituado como "mais promissor", como um curso de administração de empresas, economia, etc.
3ª) a pessoa não sabe o que quer para sua vida profissional, e daí o leque de opções se restringe ao que a sociedade novamente considera como sendo "ideal", profissões que dêem status e que garantam uma boa posição futuramente, de preferência numa grande empresa: engenharia, economia, advocacia, administração de empresas... é só escolher dentre tantas opções.
As situações dois e três são as mais complicadas e, nestes casos, na maioria das vezes, o candidato a futuro profissional embarca nas opções que a sociedade valoriza. E estas opções acabam parecendo interessantes, pois são envolventes, sedutoras e aceitas pela maioria das pessoas. E aquele desejo de seguir uma carreira mais "alternativa" aos olhos da sociedade é colocado de lado, "engavetado"... O chamado da alma é totalmente sufocado em prol do chamado da "sociedade", pois também parece ser mais seguro seguir por um caminho aceito pela maioria. Todo futuro é incerto, mas nestes dois casos a probabilidade do futuro trazer a vivência de um dilema profissional é enorme.
Se não estivermos conscientes das escolhas que fazemos diariamente, acabamos cedendo à tentação dos "modelos sociais". Por isso, é tão importante buscarmos o autoconhecimento e aprendermos a escutar a voz da nossa alma. E a alma envia sinais o tempo todo... A alma é simples, direta. E talvez justamente por isso é que se demora um certo tempo para aprender a ouvi-la. Temos o hábito de complicar tudo, ou quase tudo, pensar demais, racionalizar demais, ponderar demais, analisar demais, exteriorizar demais. Geralmente se aprende a escutar e a dar atenção aos “apelos” da alma conforme nos autoconhecemos e ampliamos a percepção de que a verdadeira sabedoria está na simplicidade. E é dentro de nós mesmos que encontramos todas as respostas.
"Os olhos são os espelhos da alma"
"Os olhos são os espelhos da alma"
O que nos anima, nos encoraja, nos move e nos realiza é o que faz "nossos olhos brilharem". Joseph Campbell em O Poder do Mito cita: “Persiga aquilo que te traz alegria e não tenha medo, pois portas se abrirão lá onde você não sabia que havia portas". E isso vale para todos os aspectos da vida. Quando você se dedica àquilo que faz seus olhos brilharem, àquilo que vem do fundo da sua alma, você coloca todo seu amor, dedicação, talento, conhecimento. Você está inteiro ali, corpo, mente, alma... E onde quer que você esteja inteiro, pleno, você está vivenciando o Yoga. Não existe mais a cisão. Você, o agir e o objeto de sua ação estão integrados, unidos.
Nesse momento, você está conectado a algo maior, e aí, sem dúvida, “portas se abrirão” onde você menos imagina. E a probabilidade de um futuro promissor, repleto de realização, conquista e sucesso é muito maior justamente por você estar inteiro. Citando Campbell novamente: "Onde quer que você esteja, você estará desfrutando aquele frescor, aquela vida intensa dentro de você, o tempo todo."
Se você vivencia um dilema em sua vida por ter feito opções pressionadas pela sociedade, procure com responsabilidade o equilíbrio entre estas e aquelas que fazem seus olhos brilharem.
O brilho dos nossos olhos é o que deve iluminar os nossos caminhos... Simples assim.
Rio Ganges - Rishikesh, Índia
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"O verdadeiro heroísmo esta em conquistar a sua própria natureza." Provérbio hindu

2 comments:
"O brilho dos nossos olhos é o que deve iluminar os nossos caminhos... Simples assim".
Esse encerramento é tão você, Mô... tão simples e tão profundo ao mesmo tempo.
Obrigada por tudo,
Paulinha
Amiga bruxa... disse exatamente o que eu precisava ouvir (ou ler)... Simples assim. Obrigada.
Majori
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